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ROCK RÁDIO LÁGRIMA PSICODÉLICA


quarta-feira, 15 de maio de 2019

Lailson & Lula Côrtes


Lançado em 1973 por Lailson e Lula Côrtes, o LP Satwa tornou-se uma lenda entre os colecionadores do rock psicodélico dos anos 70.

O raro ‘Paêbirú’ com Zé Ramalho é clássico, mas ‘Satwa’, desta vez com Lailson, é outra obra-prima do pernambucano Lula Côrtes, que não merece a obscuridade a que foi submetida por três décadas.

Gravado em 1973, o disco traz a dupla tomada por uma lisergia pós-Woodstock, capaz de assustar incautos ouvintes em pleno 2001. Músicas como ‘Alegro Piradissimo’, ‘Valsa dos Cogumelos’ ou ‘Blue do Cachorro Muito Louco’ não deixa dúvidas sobre o conteúdo do vinil tosco, mas com ótimo som.

Instrumental, com pequenas incursões vocais, o disco traz dez canções "produtos mágicos das mentes e dedos de Lailson e Lula", como diz na contra-capa do álbum, produzido pela dupla, mais Kátia. Além dos de Lula e Lailson, Robertinho de Recife também faz uma ponta no disco, tocando ‘lead guitar’ em 'Blue do Cachorro Muito Louco’, um blues lento e viajandão.

O som predominante do disco, no entanto, é um folk nordestino/oriental, resultado da mistura da cítara popular tocada por Lula, e da viola de 12 cordas de Lailson. Algo como uma sucessão de ragas ou mantras, interpretadas por Cego Aderaldo movido a incenso, cogumelos e outros "expansores da musculatura mental", como diz Arnaldo Baptista.

Fruto da cena nordestina pós-tropicalismo e/ou psicodélica, ‘Satwa’ foi "curtido" nos Estúdios da Rozenblit, em Recife, entre os dias 20 e 31 de janeiro de 1973. Participam do disco, ainda Paulinho Klein, que divide com Lula as "curtições fotográficas" e o engenheiro de som Hercílio Bastos (dos Milagres).

Com tiragem limitada e distribuição basicamente regional, o disco desapareceu tão logo surgiu, permanecendo como uma lenda para o restante do país. Sem reedição em vinil, e inédito em cd, ‘Satwa’ ainda não entrou para o catálogo informal de cdrs que, mal ou bem, democratiza o acesso à história musical do país.

Várias propostas foram feitas para relançar o álbum, mas os autores nunca consideraram isto necessário, pois um dos valores da obra é ter sido o primeiro LP independente gravado no Brasil.
Em janeiro de 2004, porém, o produtor musical Nemo, colecionador e proprietário do selo Time-Lag Records, de Portland, Maine, EUA, localizou Lailson através da Internet. Nemo produz LP's

em vinil para colecionadores em tiragens limitadas e sugeriu fazer uma nova edição de Satwa em vinil e em CD.

Desta vez os autores acharam a idéia interessante, pois até o nome do selo (que significa Lapso de Tempo) explicava bem o que tinha acontecido com a obra:ela tinha dado um salto no tempo para ser reencontrada 30 anos depois e ser melhor compreendida.

Como a matriz fonográfica do disco foi perdida na inundação da gravadora Rozemblit em 1975, foi feita a recuperação das músicas através de uma das últimas cópias originais em vinil que Lailson possuía, passando o som através de filtros para eliminar ruídos e chiados.

Lailson escreveu um texto para o encarte da nova edição e Erika Elder fez a nova produção gráfica, que mantém as capas exteriores como na edição original.

Texto retirado de | Musicaria Brasil

1973 | SATWA

01. Satwa
02. Can I Be Satwa?
03. Alegro Piradíssimo
04. Lia, A Rainha Da Noite
05. Apacidonata
06. Amigo
07. Atom
08. Blue Do Cachorro Muito Louco
09. Valsa Dos Cogumelos
10. Alegria Do Povo

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